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03/08/2020
Como sugerir pautas em tempos turbulentos
Como sugerir pautas quando boa parte da imprensa fala do mesmo assunto?
Não há dúvidas de que todo profissional de comunicação tem feito essa pergunta a si mesmo ultimamente. Desde março, a maior parte da imprensa, impressa ou digital, ocupa o espaço noticioso com matérias sobre a pandemia ou algum escândalo relacionado ao Planalto.
A maneira com que as empresas se comunicam se transformou com a pandemia, veja o que mudou na parceria entre influenciadores e marcas, na gestão de redes sociais e na relação com os porta-vozes.
Escolha de temas pela imprensa
Quando há novidades sobre uma vacina, cai um ministro importante ou descobre-se que o presidente está com COVID-19, aquela notícia quente do nosso cliente acaba indo para a gaveta, pois, na visão dos jornalistas, não tem força para concorrer com os assuntos de saúde ou de Brasília.
Não é difícil entender por que os veículos de comunicação, principalmente os diários, que cobrem todo o cotidiano, dão foco nesses temas e não nos “nossos”. Sabemos que os jornalistas consideram que um assunto é tido como notícia quando a resposta é “sim” para algumas perguntas básicas:
- É recente (aconteceu há pouco tempo)?
- É relevante?
- É diferente (ou inusitado)?
- Interessa ao meu público (leitor, telespectador, ouvinte, internauta)?
Quando o assunto tem relação com a maior emergência sanitária do século ou com a montanha-russa que se tornou o ambiente político no Brasil (com implicações reais para a vida dos brasileiros e a economia do país), não há saída para os nossos colegas nas redações: o jeito é abordar esses temas.

O presidente Jair Bolsonaro tem se envolvido em polêmicas que monopolizam as manchetes da imprensa
Como sugerir pautas na crise: 3 dicas
Um cenário de imprensa monotemático é desafiador para o assessor de comunicação, porém, se formos estratégicos, é possível vencer essa muralha, com uma mescla de sensibilidade e técnica.
- Estar atento a diferentes abordagens temáticas
Devemos redobrar a nossa percepção e focar nos aspectos diferenciados dos assuntos dos nossos clientes, a fim de torná-los pauta.
- Tirar vantagem da pauta que “nada contra a maré”
Crise, fechamento de empresas e desemprego recorde tem sido a música de uma nota só que ouvimos nos últimos meses e, se a pauta do seu cliente conta com um “mas”, começa a abrir-se aí uma chance de ela ter espaço numa matéria.
Por exemplo: o setor de negócios em que um cliente atua foi muito impactado pela crise, mas ele encontrou uma maneira de manter-se competitivo, vivo, dando o seu quinhão para que o mundo não acabe. Se o assessor tiver essa sensibilidade e tocar o jornalista, é possível que aquela barreira seja transposta – até porque os repórteres, provavelmente, não aguentam mais ouvir a mesma música todos os dias.
- Saber o timing de sugerir a pauta
Pouco adianta sugerir uma pauta logo depois de um acontecimento que impacte fortemente aquela editoria. Timing é sempre precioso em assessoria de imprensa e em tempos turbulentos, ainda mais.
Tomando como exemplo a sugestão de pauta fictícia do item anterior. Se acabou de ocorrer a divulgação de PIB, uma reunião ministerial problemática, declarações polêmicas que impactem a economia, deixe a sugestão de pauta descansar até o dia seguinte. É importante saber a diferença entre ter timing e deixar a pauta esfriar. Nesse caso, uma pauta de negócios ainda está “quente” no outro dia e pode ser negociada com menos interferência do acontecimento bombástico do dia anterior.
Esse texto foi produzido por Rogerio Gama e atualizado em 3.8.2020 por Mila de Oliveira
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